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Logan – O Hype superado

Nem parece que faz tanto tempo mas em 2000 aparecia nas telas de cinema um dos heróis mais amados das HQ’s, o Wolverine. Quem teve a oportunidade de presenciar na época certamente acompanhou desde o início um personagem com a história e personalidade mais fiel ao dos quadrinhos no cinema mas que infelizmente se encontrava em péssimos filmes. A Fox desde sempre teve o péssimo hábito de fazer os filmes do X-Men sem cronologia e sem roteiro decente, e no meio deles sempre encontrávamos personagens com bom potencial mas sem desenvolvimento em algo que parecia ser o único futuro dos mutantes em longas de live action.

Logan pode ter sido o melhor e mais pé no chão filme de herói lançado até hoje, mas não foi com ele que a Fox começou a finalmente ganhar reconhecimento real nesse universo. Quando começou no início do século, o medo da Fox era que o público não aceitasse heróis de farda e com a história fantasiosa como é nos quadrinhos e nesses longos dezessete anos a Marvel apareceu para provar que sim, existe público pra isso e se bem executado pode até trazer novas pessoas. Foi assim que ela resolveu responder com filmes excelentes como X-Men Primeira Classe e Apocalypse. O que veio a ser o que vou apelidar de Filme-Pai do Logan foi um dos filmes mais fiéis da história: Deadpool. Depois de ter o seu personagem completamente estragado em Wolverine:Origins (que por sinal é outro péssimo filme) e um curta que saiu do Deadpool matando vários bandidos em um carro, o público pressionou o suficiente para que o estúdio fizesse um filme digno do personagem, e assim, em fevereiro de 2016 fomos agraciados com o primeiro filme +18 de um herói.  Um investimento baixíssimo e um lucro surreal que não só provou que em 2000 todos estavam errados, como estampou que filmes com personagens fardados e com poderes para maiores pode ser um bom negócio.

Em 2017 recebemos um dos melhores trailers já lançados no cinema e com ele o hype não só foi lá em cima como a certeza de que seria impossível sair algo ruim. Finalmente veriamos o Wolverine fazendo o estrago que deveria ter feito desde o início, nós temos a prova disso nos primeiros 5 minutos de filme. Logan possui um roteiro simples, aquele velho enredo de fuga onde um personagem precisa ser levado do ponto A ao ponto B e ao decorrer dessa estrada acontece vários imprevistos que podem ser um empecilho pro responsável por esse transporte, em tempos bons até seria uma tarefa fácil pro nosso bom e velho Wolverine se ele não estivesse totalmente deteriorado junto ao seu amigo, Xavier. O filme tem duas curtas horas de muitas cenas emocionantes e pesadas dignas do personagem, conhecemos um Wolverine que nunca tínhamos visto nem mesmo em quadrinhos e o mais importante de tudo: Um final digno e fantástico para um herói em fim de carreira. Ao decorrer da trama podemos encontrar pequenas cenas que podem ser apontadas como falhas ou buracos na história nada comparado ao que a Fox fez em 17 anos de X-Men, mas que são facilmente sobrepujadas por picos de felicidade, adrenalina e tristeza que o filme consegue nos proporcionar sem nenhum esforço.

Por fim, Logan consegue nos trazer o que eu já considero não só o melhor filme de herói já lançado até hoje, como um dos filmes com restrição máxima de idade mais bem trabalhados e sem extremos exageros como somos acostumados a ver. Como Hugh Jackman havia dito: Logan é uma carta de amor aos fãs, e eu complemento dizendo que não é só uma carta como uma redenção da Fox conosco.